A VI Conferência Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE 2026) reuniu pesquisadores, gestores públicos, empresas, financiadores, povos indígenas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e organizações da sociedade civil no principal encontro nacional dedicado à restauração de ecossistemas. Com o tema “Restauração ecológica: inclusão e justiça climática”, o evento evidenciou que restaurar paisagens é também fortalecer a governança, promover a inclusão social, enfrentar as mudanças climáticas e gerar desenvolvimento sustentável.
Diversos parceiros do Conservador da Mata Atlântica participaram da programação, apresentando experiências, lançando novas iniciativas e contribuindo para os debates sobre políticas públicas, financiamento, monitoramento, bioeconomia, cadeias produtivas da restauração, serviços ecossistêmicos e planejamento territorial. Em comum, as discussões reforçaram a necessidade de ampliar a cooperação entre diferentes setores para acelerar a recuperação da vegetação nativa em todo o país.
Um dos anúncios da conferência foi o lançamento do Restaura Biomas, iniciativa executada pelo WRI Brasil em parceria com a União pela Restauração, formada pela Conservação Internacional Brasil (CI-Brasil), The Nature Conservancy (TNC) Brasil, WRI Brasil e WWF-Brasil. O projeto busca enfrentar alguns dos principais desafios para ampliar a recuperação da vegetação nativa no Brasil, fortalecendo políticas públicas, ampliando mecanismos de financiamento, estruturando cadeias produtivas, aprimorando a governança e o monitoramento e aproximando as decisões nacionais da realidade dos territórios.

Outra iniciativa conjunta foi a oficina “Caminhos para Implementação de Territórios da Restauração”, realizada em parceria entre WWF-Brasil, WRI Brasil, CI-Brasil e TNC Brasil e voltada à construção de diretrizes práticas para governança, inclusão, salvaguardas socioambientais e financiamento. Nesse contexto, a Mantiqueira destaca-se como um dos territórios da Mata Atlântica com maior convergência de projetos, investimentos, instituições e implementadores da restauração, reunindo condições para avançar como um futuro Território da Restauração no contexto do PLANAVEG.
A WWF-Brasil também participou dos debates sobre os avanços da Década da ONU para a Restauração, com foco no Pacto Trinacional da Mata Atlântica, reconhecido como World Restoration Flagship e que articula mais de 372 membros em prol da restauração da Mata Atlântica. A participação da organização também fortaleceu o diálogo sobre políticas públicas, governança da paisagem e monitoramento da restauração por meio dos simpósios “Integração da agenda de restauração no governo: sinergia e articulação entre PLANAVEG, PNCPD e Florestas Produtivas” e “Alianças de Restauração como Governança de Paisagem: incidência, ciência, monitoramento e implementação”, espaços dedicados à discussão de estratégias para ampliar a escala e a efetividade das ações de restauração no Brasil.

A TNC Brasil também participou de debates sobre restauração em Terras Indígenas, Manejo Integrado do Fogo (MIF), políticas públicas, finanças e cadeia da restauração, além do monitoramento de carbono e da biodiversidade e de outros temas fundamentais para ampliar e acelerar essa agenda no país. A organização também apoiou a realização do evento, integrando a comissão organizadora.
Outro destaque foi a participação da Fundação SOS Mata Atlântica, que lançou o relatório “Nossa marca é a restauração”, reunindo os resultados alcançados desde que seus projetos de restauração ganharam escala, há 25 anos. A instituição também compartilhou experiências de monitoramento das áreas restauradas, incluindo o uso da ciência cidadã na avaliação da qualidade da água, por meio do programa Observando os Rios, e de drones e geotecnologias para acompanhar a cobertura do solo. A programação trouxe ainda resultados de uma pesquisa desenvolvida em parceria com a Esalq/USP sobre os fatores que influenciam a decisão de proprietários rurais de restaurar suas terras. As contribuições reforçaram a importância de acelerar a recuperação de áreas degradadas, aliando restauração e conservação das florestas remanescentes, essenciais para a biodiversidade, a segurança hídrica e a qualidade de vida.
A CI-Brasil apresentou uma atuação integrada em diferentes frentes da restauração ecológica, conectando ciência, implementação em escala, inclusão social, fortalecimento das cadeias produtivas e financiamento. Os trabalhos reuniram experiências na Amazônia e na Mata Atlântica, com iniciativas que somam cerca de 50 mil hectares em projetos amazônicos e uma meta de restauração de 5 mil hectares no Corredor Central da Mata Atlântica.
Entre os temas abordados pela CI-Brasil estiveram o monitoramento ecológico e o manejo adaptativo das áreas restauradas, o uso de sistemas agroflorestais para fortalecer a agricultura familiar e ampliar a participação de mulheres e jovens, além dos desafios para expandir a produção de mudas e estruturar a cadeia da restauração. A organização também apresentou análises sobre custos, acesso a recursos públicos e governança do financiamento, contribuindo para o aprimoramento de políticas e mecanismos capazes de ampliar a restauração em diferentes territórios.
A Iniciativa Verde, por sua vez, trouxe à conferência uma abordagem que evidencia a evolução das estratégias de restauração. As apresentações mostraram que restaurar ecossistemas vai muito além do plantio de mudas, destacando a importância da microbiota do solo, o uso de tecnologias como a semeadura direta e a dispersão de sementes por drones, o monitoramento da qualidade da água e a recuperação de riachos.
Ao reunir diferentes instituições, territórios e áreas do conhecimento, a SOBRE 2026 reafirmou que os desafios da restauração ecológica exigem soluções construídas de forma coletiva. A participação dos parceiros do Conservador da Mata Atlântica reforça o papel das redes de cooperação na geração e no compartilhamento de conhecimento, no fortalecimento de políticas públicas e na construção de estratégias capazes de ampliar os impactos da restauração sobre a conservação da biodiversidade, a segurança hídrica, o desenvolvimento sustentável dos territórios e a adaptação às mudanças climáticas.